RESENHA COM HUDSON DUARTE

Mudanças severas: Para qual direção vai caminhar o futebol brasileiro?

Duas decisões importantíssimas estão em pauta neste momento e essas mudanças vão trazer grande impacto ao futebol brasileiro.  A primeira mudança parte diretamente da CBF e tem como principal pauta, reduzir o número de estrangeiros com o intuito de forçar um maior número de jogadores da base no plantel dos principais clubes.  A segunda vem do Governo Federal e está debruçada sobre as BETS, a medida visa proibir esse tipo de atividade no país, interrompendo também de forma abrupta parte considerável das receitas de alguns clubes de ponta no Brasil.   Quais os impactos destas duas medidas no futebol nacional?  Como vai se comportar o mercado e para onde vai caminhar o futebol brasileiro?

Tratando de forma resumida sobre as mudanças colocadas pela entidade máxima do futebol brasileiro e aprovadas pela maioria dos clubes que disputam a série A este ano, a decisão visa diminuir para no máximo cinco estrangeiros por time até a temporada 2030, com isso a CBF julga no seu entendimento beneficiar a base dando ainda mais espaço para novas promessas.  Essa idéia que foi gestada nas entranhas da entidade sugere qualificar e revelar novos atletas, sobre tudo para este ciclo de Copa, que inclusive tem início já na próxima semana.   Na prática os clubes nunca deixaram essa atividade de lado, a maioria incluindo os principais times no Brasil colocam a venda de atletas da base nas receitas para fechar o balanço no ano.  Clubes como Palmeiras & Flamengo são os melhores exemplos disso na atualidade, com as recentes vendas de: Endrick, Estevão, Alan, Vinícius JR, João Gomes, Wesley; Estes conseguiram somar excelentes números e investir ainda mais nos times, isso por si já diz que a base é sim aproveitada, mas também demonstra que o sarrafo subiu consideravelmente. Os bons jogadores revelados pela base vão continuar saindo de forma precoce e trazendo bastante dinheiro, porém com a dificuldade na reposição e com a limitação ainda maior de estrangeiros, essas vagas serão preenchidas por atletas jovens, inexperientes e com uma menor qualidade técnica e tática (afinal nem toda a base vinga), isso vai derrubar a qualidade do futebol praticado no Brasil, além de aumentar a distância entre os clubes nas disputas internas, muito provavelmente os que dispõem de mais recursos vão aliciar jovens da base de clubes com menor poder financeiro.  Já no futebol sul-americano o cenário é outro e o nivelamento será para baixo, em relação ao futebol praticado hoje teremos uma grande perda em qualidade por parte dos times no Brasil, a possibilidade de trazer bons jogadores sul-americanos e até europeus será limitada, com isso a atual hegemonia brasileira no continente pode estar seriamente ameaçada.

  Com relação à intenção do Governo Federal em proibir as BETS no país, isso  afetaria imediatamente grande parte das receitas dos principais clubes por aqui.  A tendência é que eles vão sentir o impacto inicial caso isso aconteça, tendo que reorganizar fluxo de caixa e pagamentos, além da busca por novos investidores interessados em colocar um volume considerável de dinheiro em um clube de futebol.   O questionamento é: “Isso seria a solução definitiva para a parcela da população que tem o hábito de fazer essas apostas?”   Com tanta morosidade, burocracia e outras dificuldades enfrentadas por parte das autoridades que tentam coibir sem sucesso a operação de plataformas ilegais (e são milhares e de muito fácil acesso), será que não haveria por parte desses apostadores só a migração de uma plataforma autorizada para outra que opera de forma ilegal?     Sinceramente? É o que irá acontecer!!!