RESENHA COM HUDSON DUARTE
Coletividade, a copa e seus parâmetros atuais.
Chega ao fim mais uma edição da Copa do Mundo FIFA e de forma justa a Espanha se tornou a grande vencedora. Essa competição trouxe alguns aspectos bem conhecidos para quem acompanha futebol, porém talvez empregados em um nível que chamou a atenção de todos(as). Assim como em várias coisas na vida o futebol sempre se renova, costuma inclusive de tempos em tempos mudar seu comportamento, trazendo boas surpresas na maneira como grandes equipes se comportam e foi exatamente o que aconteceu nessa competição.
Em uma análise fria sobre a reta final desta Copa, dentre as quatro seleções que chegaram as Semi Finais, três equipes tinham como destaque principal a idéia de jogo coletivo em alto nível, a frente inclusive de talentos individuais, observando a atenção a esse aspecto como o principal para estes times, não a toa aplicação tática foi elevada ao nível máximo justamente por parte da campeã. A Inglaterra que antes do início era apontada como uma equipe que poderia chegar ao título, era das quatro a menos contemplada com qualidades individuais e jogo coletivo apurado. Apesar do bom time e da bela campanha, ainda faltam degraus a avançar para caminha até ao topo.
A França era apontada como a grande favorita antes da Copa e reforçava este sentimento a cada apresentação durante a competição, com um time recheado de craques se destacando principalmente com seus talentos individuais, apresentou mais uma vez qualidade individual que nenhuma outra seleção no mundo dispõe neste momento, também tem um bom jogo no aspecto coletivo, mas não evoluiu a ponto de se colocar no nível de Argentina e Espanha quando o assunto é a coletividade. Inclusive já havia pecado nesse quesito deixando escapar o título da competição em 2022 na final contra a Argentina, quando mais uma vez apostou no talento individual como principal arma.
A Argentina chegou para a competição como a campeã que queria defender o título, mas passava insegurança criando uma incógnita na cabeça do torcedor, porém acertou em manter a regra que a consagrou campeã contra a França quatro anos atras, a vontade já conhecida, bons talentos individuais capitaneados por Lionel Messi e o conjunto apresentado nas duas últimas Copas, todos funcionando com equilíbrio e harmonia, levando a Argentina a outra final. Já a grande campeã (Espanha), não figurava nas principais listas das favoritas antes da bola rolar, sua capacidade de praticar um futebol de altíssima intensidade por um longo período da partida foi determinante para sua conquista. A idéia de um grupo com jogares de pouca idade com alta qualidade técnica e muita aplicação tática (jogo alto, transições, jogo baixo e vasto repertório), fez com que a Espanha conquistasse a principal competição de futebol do planeta de forma justa e impressionante.